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Candidato à presidência critica relação do Flamengo com Bolsonaro: “É submisso ao bolsonarismo”

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Em dezembro, ocorre mais uma eleição para definir o presidente do Flamengo no próximo triênio. Rodolfo Landim, atual mandatário, será candidato e é o favorito até então. Apesar disso, opositores já têm se movimentado, e um deles é o advogado Walter Monteiro.

QUEM É WALTER MONTEIRO
Advogado, carioca, residente no Rio Grande do Sul, membro e ex-embaixador da Embaixada Fla-RS, Sócio-Proprietário, Conselheiro, ex-assessor da Comissão de Finanças do Conselho de Administração, também foi membro do Conselho de Finanças do Conselho Deliberativo. Atuou como colunista do site Magia Rubro-Negra, uma das mídias independentes pioneiras sobre o clube na internet.

MOTIVOS PARA SER CANDIDATO A PRESIDENTE DO FLAMENGO

Walter revela que a ideia de lançar uma candidatura foi amadurecendo em 2020 através do Flamengo da Gente. Segundo ele, membros do grupo foram vítimas de perseguições políticas:

“Nós fomos vítimas de perseguições pelo fato das nossas posições antagônicas a diretoria, teve membro nosso que foi punido, que foi suspenso porque criticou as ações do Flamengo na pandemia. Eu mesmo fui vítimas de algumas retaliações que prefiro não citar e alguns outros membros de forma velada e mais explícita sofriam ameaças de processos disciplinares“.

“A gente vem amadurecendo a ideia de ter uma candidatura à presidência porque acredita que o momento da eleição é o momento para suscitar o debate do Flamengo que a gente efetivamente quer. É óbvio que como torcedores, a gente tem uma relação com o clube de paixão, uma relação de entrega, uma relação de apoio incondicional, mas o clube é muito mais do que isso. O clube é uma instituição que tem os seus valores, os seus princípios, que tem a sua cultura e a gente acredita que tudo isso está sob ameaça pela forma como o Flamengo vem conduzindo as suas questões extracampo”, disse em entrevista ao Canal Ser Flamengo.

MUDANÇA PARA O RIO DE JANEIRO PARA ADMINISTRAR O FLAMENGO
Como já mencionado, Walter reside no Rio Grande do Sul. O que levanta o debate se mudaria seu domicílio para o Rio de Janeiro, cidade sede do Flamengo. O pré-candidato disse já desempenhar suas funções profissionais de forma remota e que como imagina um clube gerido de forma profissionalizada, um presidente muito próximo do dia a dia pode até atrapalhar.

CANDIDATA A VICE-PRESIDENTE GERAL DA SUA CHAPA
A candidatura já tem um nome para exercer à vice-presidência geral. Trata-se de Cláudia Simas. Ela também foi colunista do site Magia Rubro-Negra, onde os dois se conheceram, e é integrante do grupo Flamengo da Gente. A candidata também mora fora do Rio de Janeiro e, segundo Monteiro, isso representa uma simbologia “de um Flamengo que se enxerga além dos muros da Gávea ou além da Zona Sul do Rio de Janeiro, é o Flamengo que tem uma candidatura que simboliza essa faceta nacional do clube“.

O Flamengo da Gente é um grupo que sempre foi voltado para as questões sociais e de diversidade. Um dos seus maiores coletivos é o “Mulambas”, que atua nas questões do empoderamento feminino. Walter revelou que foi através delas que apresentaram uma proposta ao estatuto chamada de “Emenda da diversidade e da inclusão” e que a Cláudia vem para simbolizar esse coletivo feminino, além de uma maior participação das mulheres nas gestão dos clubes.

APOIO DE GRUPOS POLÍTICOS
Os grupos políticos têm mostrado a sua importância no processo eleitoral do Mais Querido nos últimos anos. A prova disso é que foi através de uma nota de oito deles, que foi revelada a candidatura de reeleição do atual mandatário, Rodolfo Landim. Marco Aurélio Asseff, outro pré-candidato, disse não ter apoio de nenhum e indicou até um certo ‘fisiologismo’. Walter já vem com o Flamengo da Gente e da Frente Flamengo Maior, uma união de coletivos diversos. Ele disse que considera muito importante o papel dos grupos: “O papel dos grupos políticos dentro do Flamengo permitiram que a gente tivesse uma reflexão que fosse além da questão pessoal“.

O GRUPO FLAMENGO DA GENTE E SUAS PAUTAS PRINCIPAIS
O Flamengo da Gente é um “Movimento de torcedores, sócios-torcedores, sócios e conselheiros que defende um Flamengo vencedor, justo, democrático e popular“. Assim se definem em suas redes sociais. Tendo pautas ligadas a diversidades e questões sociais, o grupo se destacou por um trabalho que ultrapassa os muros da política da sede da Gávea. No último pleito, em 2018, os membros ficaram livres para apoiar e votar no candidato que quisesse. Não houve posicionamento. Diferente de agora. Segundo Monteiro, o fato de participarem do processo eleitoral, não mudará a essência.

“É uma reflexão que a gente precisou fazer internamente também. Uma das formas que a gente tá tentando construir, é exatamente fazer com que ao longo da campanha, a minha candidatura e a da Cláudia, deixe de ser a candidatura do Flamengo da Gente para ser a candidatura da Frente Flamengo Maior“.

PARTIDARISMO POLÍTICO DO FLAMENGO E RELAÇÃO COM BOLSONARO
A administração de Rodolfo Landim procura ter uma relação muito próxima com os órgãos executivos. Há até um funcionário para esta relação, que vem sendo definida como partidarismo político. Em 2020, o presidente do Fla liderou a articulação da MP 984, que dava ao mandante da partida o direito de transmissão. Isso atingiu diretamente a Globo, detentora do Campeonato Carioca naquela ocasião. Walter Monteiro diz que tais decisões podem ter uma motivação política e que o clube sai prejudicado:

“Essa briga com a Globo que o Flamengo fez questão de liderar, nada me tira da cabeça que ela tem uma motivação política. O Flamengo está muito alinhado aos interesses do Governo Federal, o Presidente da República considera a Globo a sua maior inimiga, está num projeto de destruir a Globo e o Flamengo aceitou ser uma parte desse sistema dessa engrenagem, ser ponta-de-lança da briga política do Bolsonaro contra a TV Globo“.

A proximidade do Rubro-Negro com o Governo do Presidente da República, Jair Bolsonaro se dá além da relação institucional. Recentemente, o chefe do executivo do Brasil surgiu no treino dos atletas do Fla, sem aviso prévio, junto com sua comitiva, e mesmo com os protocolos da Covid-19, houve aproximação com a delegação e fotos. O candidato lembrou que o clube teve dois ex-presidentes que dividiram seu mandato no clube com seu mandato parlamentar e que mesmo assim, nunca houve um partidarismo como agora:

“A relação do Flamengo com os poderes constituídos, tem que ser uma relação institucional e de respeito, onde o Flamengo reconheça o seu papel, onde o Flamengo se dê valor. Nós já tivemos dois presidentes do Flamengo que acumularam o exercício da presidência do Flamengo com seus respectivos mandatos parlamentares. Foi Márcio Braga e Patrícia Amorim. Nem na época deles a gente viu o Flamengo tão partidário, tão submisso a um projeto de poder como a gente vê agora. É claro que visitar o presidente da república é absolutamente natural, não tem problema nenhum entregar uma camisa ao presidente, eu acho que isso está dentro do que se espera de uma relação institucional. Agora, o que acontece no Flamengo está muito longe de ser isso. O Flamengo é submisso ao bolsonarismo, o Flamengo faz questão de se associar ao bolsonarismo, o Flamengo é ponta de lança do bolsonarismo. E o Flamengo é tão ponta de lança disso que compra briga do Bolsonaro com a Globo com dinheiro do Flamengo. Ou seja, colocando em risco o dinheiro do Flamengo. E isso vai cobrar uma conta histórica muito cara, na minha opinião, ter essa associação com o que há de pior. Porque eu nunca vi o Brasil numa situação tão desesperadora, e não dá pra dizer que estamos vivendo isso por acaso, a gente está vivendo pelas formas como a gente está conduzindo esta situação. E o Flamengo aceita ter isso. Então, a gente precisa mudar isso, ter um Flamengo democrático, que respeite os valores da democracia, que sim, homenageie pessoas que foram vítimas de violência do Estado, mas que seja um clube absolutamente plural e que ninguém seja perseguido pelo que fala e pelo que diz. E eu sou, definitivamente, muito candidato também por isso. Para que o torcedor do Flamengo também saibam que nem todos são como os que estão dirigindo o Flamengo hoje. Existe gente no Flamengo que preza pela democracia como valor fundamental“.

VOTO À DISTÂNCIA NA ELEIÇÃO DE 2021
Junto de Marco Aurélio Asseff, Walter enviou uma carta aos conselhos do Flamengo, sugerindo uma forma ‘pacífica’ para adotar a questão do voto à distância nas eleições. Criar uma comissão independente para uma opinião sobre a questão. Ele negou que irá judicializar a eleição.

“Respondendo diretamente, eu não penso na possibilidade de processar o Flamengo. Existe a Lei, ninguém tem dúvida de que a Lei obrigada a votação não presencial. Se alguém tem dúvida disso, não sei, mas está lá. A dúvida é porque o estatuto do Flamengo prevê algo diferente, mas, para mim, a Lei prevalece sobre o estatuto. Há quem acredite que o estatuto é soberano. Enfim, está criado o impasse. Porém, está fácil de perceber que é uma questão de interpretação jurídica. Existem dois caminhos diante de um impasse como esse: ou um lado vai tentar impor ao outro a sua vontade, e seria o caso da galera que detém o poder no momento. E a outra forma seria o contra-ataque para isso, a oposição diz que não aceita e ponto final, buscando uma decisão judicial”, disse.

RECADO PARA A NAÇÃO RUBRO-NEGRA
“Eu quero um Flamengo mais humano, mais acolhedor, que entenda o seu papel na sociedade brasileira, e o quanto ele é importante para os seus torcedores e o quanto ele deve encher de orgulho esses torcedores. É para isso que a gente acertou esse desafio de levar adiante a candidatura da Frente Flamengo Maior. Quem puder ir com a gente, nós vamos receber de braços abertos, com muito orgulho de ser Rubro-Negro.“

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