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Kfouri: Flamengo x Palmeiras é o confronto do momento no futebol brasileiro, no gramado e ao redor

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Numa noite em setembro de 2016, um gol do Flamengo no Allianz Parque desencadeou eventos embaraçosos no moderno estádio paulistano. Alan Patrick aproveitou um bom passe de Everton para colocar os visitantes, que jogavam com um homem a menos, em vantagem no encontro entre líder e vice-líder do Campeonato Brasileiro. Num camarote corporativo, a celebração do gol rubro-negro por um executivo de um banco irritou Paulo Nobre, que ordenou seguranças a retirarem o torcedor do local. Nobre, então presidente do Palmeiras, apareceu em vídeos exibindo truculência e agindo como se fosse dono da arena, cuja lista de patrocinadores incluía o banco em que o executivo trabalhava. A cena seria descrita em carta da proprietária do estádio, a WTorre, como um episódio que “lembra o que há de pior no futebol, incitando a violência entre clubes rivais, em especial entre torcedores de dois times que hoje brigam pela ponta do campeonato…”.

O que é irônico em relação ao entrevero é que a torcida do Flamengo tinha sido proibida, assim como a principal organizada do Palmeiras, de entrar no Allianz Parque, por causa de uma briga na partida do primeiro turno. Há cinco anos, o confronto entre Palmeiras e Flamengo em todos os ambientes do futebol – incluindo, claro, o da delinquência – desenhava-se como um cenário provável. Hoje, não resta dúvida de que ambos se enxergam como ameaças da maior ordem no campo de jogo, na captação de receitas e na contratação de jogadores. Paralelamente aos méritos de cada um, o desaparecimento do que se costumava chamar de “rival carioca” e a irrelevância momentânea do Corinthians contribuíram para essa polarização, e mesmo num contexto de futebol em que a aleatoriedade é uma força a ser respeitada, a distribuição dos troféus da última temporada provavelmente não foi uma coincidência.

Por isso o próximo encontro, no dia 11, na Supercopa do Brasil, é mais, bem mais, do que um jogo simbólico ou uma abertura fake do calendário nacional. É uma decisão de título entre os rivais do momento, um motivo adicional para saborear ou lamentar o resultado, e, não é exagero afirmar, uma ocasião que promete se replicar sempre que houver algo importante em jogo, nos gramados ou ao redor. Como comparativo entre os times, exceto no caso de um desfecho muito desequilibrado, a partida em Brasília obviamente será uma amostra insuficiente. Mas a julgar pelo status de cada técnico, uma eventual derrota traria mais dissabores para Rogério Ceni do que para Abel Ferreira. Embora ambos estejam em estágio inicial de trabalho e tenham sido campeões, a temporada de 2020 deixou sensações diferentes, com o Flamengo fazendo menos do que deveria e o Palmeiras superando, com frutos até precoces, o que se imaginava. Naquela noite, cinco anos atrás, tudo terminou em empate. Gabriel Jesus fez o gol do Palmeiras, que terminaria campeão brasileiro com nove pontos de vantagem sobre o Flamengo (e o Santos). Jean, Willian Arão e Diego são os únicos remanescentes de um jogo que parece estar em outra era, mas o mundo não mudou tanto assim, nem no gramado e nem nos camarotes.

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