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O Flamengo é forte, mas precisa se adaptar aos jogos para oscilar menos

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Toda vitória no Campeonato Brasileiro deve ser celebrada, ainda mais num início de competição com tantas interferências nas escalações dos times e uma tabela de classificação que contraria qualquer previsão feita antes do torneio. Mas há vitórias que abrem debates para o futuro. E o Flamengo, ao retornar de Cuiabá, terá na bagagem os três pontos e algumas discussões importantes.

É preciso ponderar que o time segue desfalcado por convocações e que acaba de perder Gérson. E, ainda assim, é o segundo que menos pontos deixou pelo caminho neste Brasileiro. É impossível removê-lo da lista dos favoritos. Mas há pontos a atacar no desempenho recente.

É recorrente a discussão sobre as oscilações rubro-negras entre primeiro e segundo tempo das partidas. Se cada jogo tem suas circunstâncias, algo que se repete é um traço de identidade deste Flamengo. O time gosta de submeter o rival, imprensá-lo contra o próprio gol e conduzir o jogo a partir do domínio da bola. Mas tem certa dificuldade de se adaptar a outros cenários. É muito curioso como os rubro-negros reagem mal, mesmo diante de rivais inferiores, a qualquer tentativa de mudar a cara da partida. Basta um ensaio de pressão no campo defensivo do Flamengo, uma proposta diferente, para que a equipe saia da zona de conforto e perca o controle das ações. Mesmo quando está em vantagem. E passa por isso a mudança de nível nas atuações após o intervalo em diversas partidas.

São emblemáticos os confrontos recentes com o Fluminense nas finais do último Estadual. Ou mesmo no último Brasileiro. Quase como regra, o Flamengo tinha 45 minutos de amplo domínio até o tricolor arriscar uma pressão mais adiantada e retirar a sensação de controle do rubro-negro. Em Cuiabá, a cena se repetiu, como se repetira em outros jogos deste Brasileiro. Um deles, contra o Fortaleza. O Flamengo quer que o jogo tenha sempre o roteiro que ele planejou. Dar ao jogo a cara que se pretende é traço importante de um time que pretende buscar títulos. Na vitória desta quinta-feira, o segundo tempo do time já era ruim antes das saídas de Diego e João Gomes. Aos poucos, o time se descompôs inteiramente.

Há outro debate que se impõe. A partir de agora, a cada vez que a equipe entrar em campo, será natural que os olhos estejam voltados para a dupla de meias. A perda de Gérson abriu dúvidas sobre as tarefas de organização e condução do time ao ataque. Em Cuiabá, num primeiro tempo de controle total, mas de poucas oportunidades de gol, o grande “armador” do Flamengo foi a pressão ofensiva. Inclusive com a participação de João Gomes, que bloqueava o volante Yuri quando este se colocava entre os zagueiros do Cuiabá na saída de bola. E foi por isso que estava dentro da área quando o time fez o desarme que terminou no gol de Pedro.

Foi quando retomou a bola e teve espaço para acelerar que o Flamengo criou suas melhores oportunidades. E, neste ponto, os desfalques na frente justificam que o volume não resultasse em tantas chances. Vitinho se sente desconfortável partindo da direita para o centro e Michael segue com dificuldades de acabamento em suas jogadas. Mas, ainda assim, era o bastante para mandar no jogo. E João Gomes dava bons sinais ao lado de Diego.

Até que veio a saída de João Gomes e a lesão de Diego. Esta, abre uma enorme incerteza. Sem Gérson e Diego, o time perde mais do que a dupla que foi titular nos últimos meses: fica sem os dois jogadores que vinham sendo responsáveis por controlar a bola, ditar o ritmo do jogo e organizar o time, ainda que nem sempre Gérson fosse um jogador que acelerasse o jogo com passes rápidos. Ocorre que, por mais que gradativamente vá retornando ao time, Thiago Maia tem estilo distinto: em forma, é capaz de defender, infiltrar na área, cobrir uma porção grande de campo. Mas não é exatamente um organizador. E João Gomes, ainda jovem, dá sinais de que precisa de mais confiança para arriscar passes. Por vezes, ainda prefere bolas de segurança.

O Flamengo iniciou o Brasileiro numa contagem regressiva pelo fim da Copa América, torneio que tirou do elenco três dos quatro integrantes do quarteto ofensivo titular. Agora, se vê sob o risco de conviver com uma imensa escassez no meio-campo.

Fonte: Globo Esporte

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