Página incial Futebol Renato Gaúcho passa a ser sombra em Rogério Ceni no Flamengo

Renato Gaúcho passa a ser sombra em Rogério Ceni no Flamengo

6
0

“Futuramente, sem dúvida alguma. Bateu na trave por duas vezes. Não que eu não tivesse vontade, mas acabei atendendo a um pedido do presidente do Grêmio, que mostrou que estamos em um momento de busca de mais títulos. Mas todo mundo sabe pela admiração que tenho pelo Flamengo, joguei lá por vários anos. Pode ter certeza que esse sonho vai se realizar, desde que o Flamengo queira.”

Rogério Ceni tem uma sombra poderosa no Flamengo. E não é mais Jorge Jesus. Empregado no Benfica, caminhando para os 67 anos, com a família apavorada com o surto da covid-19 no Brasil. E morando em Lisboa. Ele está desempregado. Ama o Rio de Janeiro mais que qualquer cidade do mundo. A ponto de ser flagrado pela polícia furando o bloqueio das praias, pra jogar futevôlei. E tem as portas escancaradas no Flamengo.

Jogadores o adoram, admiram. Dirigentes todas as vezes que o encontraram, mesmo como adversários diretos, trocaram longos abraços e palavras carinhosas, brincando que ‘um dia ele voltaria’ para a Gávea. É o maior ídolo da história do Grêmio, como Rogério Ceni é o do São Paulo: Renato Gaúcho.

As frases no início da matéria, foram ditas em 2019. No mesmo dia que foi demitido, depois de comandar o Grêmio por quatro anos e meio, o Flamengo deu um vexame imperdoával contra o rival Vasco. Mesmo com 24 horas a mais para a preparação de seu milionário elenco, cedidas pela Federação Carioca, o time de Rogério Ceni foi apático e perdeu para a limitada equipe vascaína por 3 a 1.

Ainda ontem as redes sociais foram invadidas por milhares de mensagens pedindo por Renato Gaúcho.

A ligação entre ele e o Flamengo é enorme. Largou a Roma, de maneira precipitada, como jogador. Para atuar na Gávea, onde sempre sonhou. Vestiu, como jogador, por três vezes a camisa rubro-negra. Foi campeão brasileiro em 1987. E da Copa do Brasil de 1990. Mais quatro torneios e a Taça Guanabara, primeiro turno do Carioca de 1988.

Renato Gaúcho tem duas fases como treinador. A primeira, quando trabalhava mais no carisma, sem tanta profundidade. De 2000 a 2014. Ele se reciclou por dois anos. E voltou um técnico de verdade. Com váriações táticas; estudioso dos adversários; manager, escolhendo e convencendo atletas a atuarem com ele; dando muito mais atenção ao aspecto físico do futebol, exigindo o máximo dos jogadores; e cuidando do lado psicológico.

A dedicação passou a ser total. E os resultados vieram. Nunca venceu tanto como técnico em um clube. Copa do Brasil de 2016, Libertadores de 2017, Recopa Sul-Americana de 2018, Campeonatos Gaúchos de 2018, 2019 e 2020 e a Recopa Gaúcha de 2019.

E nem ficou tanto tempo. A relação foi se desgastando. Os elencos eram cada vez mais limitados. Se chocando com a força milionária do Flamengo e do Palmeiras. O Grêmio campeão da Libertadores de 2017 ficou para trás. Quando o clube gaúcho renovou seu contrato e ofereceria uma equipe para competir com os ‘primos ricos do país’, veio a covid-19. E o fracasso na Pré-Libertadores, diante do Independiente del Valle.

Renato estava isolado, não comandou do banco de reservas o time nos dois jogos. Não pôde impor sua presença, sua personalidade, seu domínio dos atletas. A desilusão foi enorme. Acabou sumariamente demitido. Está livre para assumir qualquer equipe.

Enquanto estava no Grêmio, recusou vários convites. Os dois últimos foram do Al-Rayyan, do Qatar. A oferta era de R$ 1,8 milhão por mês. Em agosto de 2020, disse não. E, há dois meses, recusou proposta de R$ 1,3 milhão por mês do Atlético Mineiro. Renovou com o Grêmio, em março, por R$ 900 mil mensais. Veio a demissão ontem.

Em fevereiro de 2020, Renato revelou: “Eu recebi duas propostas do Flamengo. Tenho todo o carinho pelo Flamengo. Joguei com o Zico, sempre fui ídolo lá. Mas preferi permanecer e seguir o projeto do Grêmio”, disse.

Renato foi chamado pelo ex-presidente Eduardo Bandeira de Mello, quando o foco era o pagamento das dívidas, a reestruturação do clube carioca. A equipe era apenas competitiva. Tanto que, em seis anos, Bandeira de Mello ganhou apenas dois Cariocas e uma Copa do Brasil. Agora, a situação é completamente diferente. O Flamengo tem como foco ter o time mais poderoso da América do Sul. O elenco é milionário. Ganhou o Brasileiro e a Supercopa do Brasil com Rogério Ceni. Mas o time alterna grandes partidas, com jogos pífios, como o de ontem.

Rogério Ceni ainda tem todo o apoio dos jogadores e, principalmente, do vice Marcos Braz. O dirigente gosta de repetir na Gávea, sobre Ceni: “Ele pode saltar do avião, sem paraquedas, que salto atrás e ofereço a proteção.”

Mas não existia o fator ‘Renato Gaúcho’. Ainda cabe a Rogério Ceni exorcizar essa poderosa sombra. Está no comando. Terá pela frente a Libertadores, objetivo maior do clube. E, paralelamente, o Carioca, que o presidente Rodolfo Landim não abre mão. Por uma questão de rivalidade com Vasco, Botafogo e Fluminense. O dirigente deixa claro a conselheiros que o elegeram. Não adianta sonhar em dominar o mundo, se não há o domínio de sua casa, o Rio de Janeiro.

Renato morou por anos em um hotel em Porto Alegre. Seu lar sempre foi o Rio de Janeiro. E será lá que ele descansará depois da demissão no Grêmio. Vai esperar e escolher onde deseja voltar a trabalhar. Seu sonho sempre foi comandar o Flamengo. Ceni terá que ser forte. E lidar com esse rival silencioso. Que está ao lado, em pleno Rio de Janeiro. E não na distante Lisboa…

DEIXE UM COMENTÁRIO

Faça seu comentário
Digite seu nome